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Freud também explica: sobre a diversidade de teorias psicológicas

Você já deve ter presenciado alguma situação em que, diante do comportamento aparentemente estranho de uma pessoa, alguém comentou (provavelmente com tom jocoso ou de reprovação): “Freud explica!”.

Esse comentário reflete uma visão corriqueira sobre a Psicologia, mas que não pode ser considerada completamente correta, pelo menos sob um aspecto: ele sugere que todas as explicações psicológicas se baseiam nos estudos e no importantíssimo legado de Sigmund Freud, o pai da Psicanálise.

A Psicanálise é uma, dentre as muitas teorias psicológicas, que se debruçam sobre o fascinante objeto de estudo da Psicologia: o ser humano. Essas teorias são conhecidas como abordagens psicológicas e cada uma delas possui um arcabouço teórico-filosófico e um desenvolvimento científico que sustentam suas práticas. Além da Psicanálise, outras abordagens psicológicas bastante conhecidas no Brasil são a Fenomenologia e a Análise do Comportamento, por exemplo.

Agora você pode estar pensando, mas qual é a diferença entre as abordagens?

Grosso modo, todas as abordagens psicológicas buscam entender uma questão bastante ampla que pode ser descrita como segue: por que as pessoas fazem o que fazem, da forma como fazem, no momento em que o fazem? Aqui, o verbo fazer pode ser substituído por pensar, sentir, emocionar-se… O caminho para responder a essa questão é que será diferente em cada abordagem.

Como mencionei acima, cada abordagem psicológica se sustenta em pressupostos filosóficos específicos. A isso equivale dizer que cada abordagem considera uma visão de ser humano que guia seu desenvolvimento científico e a prática profissional do psicólogo. Complicou? Vou exemplificar com a Análise do Comportamento, que é a minha praia:

A Análise do Comportamento fundamenta-se em uma filosofia (o Behaviorismo Radical) que acredita que o comportamento humano é determinado pelas interações dos indivíduos com seu ambiente. Diante dessa visão sobre o ser humano, essa abordagem se propõe a estudar cientificamente os fenômenos comportamentais como resultado dessas interações. Então, para entender aquele comportamento aparentemente estranho que mencionei no começo do texto, o analista do comportamento, na prática, buscará compreender como o indivíduo aprendeu a se comportar daquela forma, respondendo a questões como: quais as consequências que ele tem ao se comportar assim? Como esse comportamento é visto pelo seu meio social? Que sentimentos estão atrelados a essa forma de agir?

Apenas para fazer um contraponto, sem correr o risco de falar bobagem sobre outras teorias com as quais estou menos familiarizada, uma outra abordagem poderia propor uma visão diferente de ser humano, em que o comportamento não é o foco de pesquisas e intervenções. Algumas das perguntas que poderiam ser feitas por outras abordagens, seriam: como as experiências de produção de sentido são constitutivas do ser humano? O que há de subjetivo nos fenômenos sociais? Como esses fenômenos sociais impactam em nossa saúde mental? Quais as motivações inconscientes que nos levam a fazer nossas escolhas? Como nos é possível viver em consonância com nosso desejo?

Para finalizar, gostaria de salientar o que as abordagens psicológicas – pelo menos as que mencionei aqui – têm em comum: elas têm fundamentações filosóficas e científicas robustas; oferecem conhecimentos, procedimentos e técnicas que podem ser aplicados nos mais diversos campos de atuação do psicólogo e, principalmente, como toda boa prática científica estão sujeitas a reformulações e aprimoramento constantes!

Nota da autora: Agradeço à professora Talyta Resende e aos professores Luís Nascimento e Rodolfo Batista pelas sugestões para a elaboração do texto.

Texto produzido pela Profa. Dra. Naiene Pimentel

Leciona disciplinas sobre Psicologia comportamental

Publicado em: 11/12/2020

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